Frio..muito frio mas belo muito belo!
No fim-de-semana passado tive frio, muito frio...é verdade para quem acha que o Brasil são só praias, sol e calor enganem-se! Aproveitei este fim-de-semana para ir a Teresópolis, cidade erguida por D. Pedro II em honra de sua mulher, a qual se encontra a aproximadamente 100km do Rio de Janeiro a uma altitude de 1000 metros. Á chegada na sexta à noite o frio apoderou-se de nós. De facto, os termómetros marcavam uns incríveis 9 graus o que após três meses de Brasil é a mais baixa temperatura atingida até então.
Sábado amanheceu solarengo e a convidar a um passeio pela Serra dos Órgãos. Os três portugueses presentes, mais afoitos, foram para o Parque Natural enquanto que os 6 brasileiros ficaram pela feirinha no meio de um chocolate quente e uma camisola de lã. À chegada ao Parque a má notícia...a subida à Pedra do Sino, ponto mais alto da Serra a 2262 metros de altura, demora 4 horas a subir e outro tanto a descer pelo que naquele dia só seria possível pernoitando no abrigo de montanha. Decidimos então investir nas pequenas trilhas junto à entrada do Parque onde as vistas de Teresópolis deixavam àgua na boca para a verdadeira subida à Pedra do Sino... o nascer do dia seguinte indicava um dia com nuvens e os bravos guerreiros resignaram-se à sorte de irem dormir e não lhes ser possível concretizar tão nobre feito.
Porém, o meu amigo Kiko acordou às 10:30 e o Sol brilhava no ar. Rapidamente se colocou em marcha o plano B: ir subir a trilha e dormir no Abrigo de Montanha com regresso na Segunda-Feira pela manhã. Após paragem no supermercado para reforço de mantimentos seguimos rumo à aventura.
A trilha: a Pedra do Sino é o ponto mais alto da Serra dos Órgãos localizando-se a 2262 metros de altura. Do início do parque até lá a cima sao 14 km dos quais 3,3 podem ser feitos por carro e os restantes 11 a pé. Um aviso inicial, nestas montanhas encontram-se os maiores primatas do Brasil com 1,5 metros de altura e um porte de meter respeito. Felizmente para as nossas pernas encontramos de imediato boleia para os primeiros quilometros de percurso. Chegados à parte pedestre é que foram elas...a subida metia respeito. Subir dos 1000 aos 2262 metros de altitude não era tarefa fácil. No entanto, após um período inicial de grande esforço muscular e psicológico entrámos no ritmo e os postos de descanso e controle foram passando a grande ritmo. De quando em vez a possibilidade única e deslumbrante de contemplar a vista cada vez mais bela da cidade de Teresópolis e de todas as povoações limitrofes e de puder contemplar uma paisagem natural fantástica que só as matas brasileiras nos proporcionam. De repente, o silêncio humano e civilizacional...apenas nós e a Natureza numa simbiose perfeita. Imaginar a vida sem carros, barulho de motores ou cheiro a tubos de escape, pessoas a degladiarem-se na corrida insana do dia-a-dia..ali a 1500 de altitude nada disso, só calma, paz e tranquilidade. Com 3:30 horas de subida chegámos ao abrigo de montanha no qual deixámos as mochilas e seguimos rumo ao cume. Ultima parte da subida em rocha com o precipício mesmo ao virar da esquina...frio, muito frio!
Lá do cimo a vista era soberba. De um lado Teresópolis do outro o vislumbrar do Rio de Janeiro, Pelo meio montanhas a perder de vista em todas as direcções. No vale casas minúsculas quais vestígios longinquos da civilização humana. De regresso ao Abrigo a constatação de um infeliz realidade, a falta de sol e vento fez com que a luz fosse muito escassa, fogão para aquecer era mentira e as frinchas nos bivaks deixavam antever uma noite gelada. Após um café morno e umas bolachinhas decidimos dormir um bocado. Mas como dormir com temperaturas que às 6 da tarde deviam rondar os 3/4 graus? Pelas 20 horas fomos jantar uma sopa de pacote cozinhada à luz duma máquina fotográfica digital e acompanhada de um pacote de paezinhos, desses que se compram nos supermercados. A seguir cama!! As permas doiam e o frio era quase insuportável. Como no abrigo tínhamos de estar sem sapatos manter os pés quentes era tarefa herculiana. Juntámos os dois colchões que tinham a separá-los do chão um rolo isolante e colocámos em cima as duas mantas que tínhamos connosco. Vesti duas t-shirts, uma camisola de manda comprida e um casaco fininho para dormir, além das calças de fato-treino e dois pares de meias grossas....nunca como no Domingo desejei tanto ouvir o despertador para me tirar daquele sufoco!!);
No dia seguinte a alvorada foi às 5 da manhã para ir ver lá no alto o nascer do Sol. Mais um café morno e umas bolachinhas do tipo Maria foi o café da manhã dos dois sobreviventes...chegados ao alto a desilusão! Estava completamente coberto de nuvens o ceu! Esperámos meia hora finda a qual começámos a empreeender a viagem de regresso rumo ao calor de Teresópolis. Se para lá tínhamos sido rápidos, a descida merecia um prémio pois 2:37 horas depois saímos da trilha mais mortos que vivos, com os joelhos e doer. Felizmente mais uma boleia até ao fim do parque e a boa nova de que o autocarro para o Rio podia ser apanhado logo dali...
Assim foi esta aventura. Muito fica por contar. Barulhos da Natureza, a magia dos pássaros, plantas, animais a chilrar, a moverem-se ao vento, a fazerem rituais de acasalamento...etc etc! A beleza do cume, o insólito do Abrigo de Montanha, tudo isso fica para a história! Só falta uma grande aventura...a ligação Petrópolis-Teresópolis de 40 km pelas montanha...será até Julho ou merece outra visita?







