terça-feira, maio 30, 2006

Frio..muito frio mas belo muito belo!

No fim-de-semana passado tive frio, muito frio...é verdade para quem acha que o Brasil são só praias, sol e calor enganem-se! Aproveitei este fim-de-semana para ir a Teresópolis, cidade erguida por D. Pedro II em honra de sua mulher, a qual se encontra a aproximadamente 100km do Rio de Janeiro a uma altitude de 1000 metros. Á chegada na sexta à noite o frio apoderou-se de nós. De facto, os termómetros marcavam uns incríveis 9 graus o que após três meses de Brasil é a mais baixa temperatura atingida até então.

Sábado amanheceu solarengo e a convidar a um passeio pela Serra dos Órgãos. Os três portugueses presentes, mais afoitos, foram para o Parque Natural enquanto que os 6 brasileiros ficaram pela feirinha no meio de um chocolate quente e uma camisola de lã. À chegada ao Parque a má notícia...a subida à Pedra do Sino, ponto mais alto da Serra a 2262 metros de altura, demora 4 horas a subir e outro tanto a descer pelo que naquele dia só seria possível pernoitando no abrigo de montanha. Decidimos então investir nas pequenas trilhas junto à entrada do Parque onde as vistas de Teresópolis deixavam àgua na boca para a verdadeira subida à Pedra do Sino... o nascer do dia seguinte indicava um dia com nuvens e os bravos guerreiros resignaram-se à sorte de irem dormir e não lhes ser possível concretizar tão nobre feito.

Porém, o meu amigo Kiko acordou às 10:30 e o Sol brilhava no ar. Rapidamente se colocou em marcha o plano B: ir subir a trilha e dormir no Abrigo de Montanha com regresso na Segunda-Feira pela manhã. Após paragem no supermercado para reforço de mantimentos seguimos rumo à aventura.


A trilha: a Pedra do Sino é o ponto mais alto da Serra dos Órgãos localizando-se a 2262 metros de altura. Do início do parque até lá a cima sao 14 km dos quais 3,3 podem ser feitos por carro e os restantes 11 a pé. Um aviso inicial, nestas montanhas encontram-se os maiores primatas do Brasil com 1,5 metros de altura e um porte de meter respeito. Felizmente para as nossas pernas encontramos de imediato boleia para os primeiros quilometros de percurso. Chegados à parte pedestre é que foram elas...a subida metia respeito. Subir dos 1000 aos 2262 metros de altitude não era tarefa fácil. No entanto, após um período inicial de grande esforço muscular e psicológico entrámos no ritmo e os postos de descanso e controle foram passando a grande ritmo. De quando em vez a possibilidade única e deslumbrante de contemplar a vista cada vez mais bela da cidade de Teresópolis e de todas as povoações limitrofes e de puder contemplar uma paisagem natural fantástica que só as matas brasileiras nos proporcionam. De repente, o silêncio humano e civilizacional...apenas nós e a Natureza numa simbiose perfeita. Imaginar a vida sem carros, barulho de motores ou cheiro a tubos de escape, pessoas a degladiarem-se na corrida insana do dia-a-dia..ali a 1500 de altitude nada disso, só calma, paz e tranquilidade. Com 3:30 horas de subida chegámos ao abrigo de montanha no qual deixámos as mochilas e seguimos rumo ao cume. Ultima parte da subida em rocha com o precipício mesmo ao virar da esquina...frio, muito frio!

Lá do cimo a vista era soberba. De um lado Teresópolis do outro o vislumbrar do Rio de Janeiro, Pelo meio montanhas a perder de vista em todas as direcções. No vale casas minúsculas quais vestígios longinquos da civilização humana. De regresso ao Abrigo a constatação de um infeliz realidade, a falta de sol e vento fez com que a luz fosse muito escassa, fogão para aquecer era mentira e as frinchas nos bivaks deixavam antever uma noite gelada. Após um café morno e umas bolachinhas decidimos dormir um bocado. Mas como dormir com temperaturas que às 6 da tarde deviam rondar os 3/4 graus? Pelas 20 horas fomos jantar uma sopa de pacote cozinhada à luz duma máquina fotográfica digital e acompanhada de um pacote de paezinhos, desses que se compram nos supermercados. A seguir cama!! As permas doiam e o frio era quase insuportável. Como no abrigo tínhamos de estar sem sapatos manter os pés quentes era tarefa herculiana. Juntámos os dois colchões que tinham a separá-los do chão um rolo isolante e colocámos em cima as duas mantas que tínhamos connosco. Vesti duas t-shirts, uma camisola de manda comprida e um casaco fininho para dormir, além das calças de fato-treino e dois pares de meias grossas....nunca como no Domingo desejei tanto ouvir o despertador para me tirar daquele sufoco!!);

No dia seguinte a alvorada foi às 5 da manhã para ir ver lá no alto o nascer do Sol. Mais um café morno e umas bolachinhas do tipo Maria foi o café da manhã dos dois sobreviventes...chegados ao alto a desilusão! Estava completamente coberto de nuvens o ceu! Esperámos meia hora finda a qual começámos a empreeender a viagem de regresso rumo ao calor de Teresópolis. Se para lá tínhamos sido rápidos, a descida merecia um prémio pois 2:37 horas depois saímos da trilha mais mortos que vivos, com os joelhos e doer. Felizmente mais uma boleia até ao fim do parque e a boa nova de que o autocarro para o Rio podia ser apanhado logo dali...

Assim foi esta aventura. Muito fica por contar. Barulhos da Natureza, a magia dos pássaros, plantas, animais a chilrar, a moverem-se ao vento, a fazerem rituais de acasalamento...etc etc! A beleza do cume, o insólito do Abrigo de Montanha, tudo isso fica para a história! Só falta uma grande aventura...a ligação Petrópolis-Teresópolis de 40 km pelas montanha...será até Julho ou merece outra visita?

segunda-feira, abril 24, 2006

Petrópolis - Montanha e História a 65 km do Rio

Aproveitámos a vinda dos pais do Hugo para visitar a histórica cidade de Petrópolis, localizada a 800 metros de altitude. Mandada construir por D. Pedro II para ser sua cidade de Verão, uma vez que o calor insuportável do Rio fazia com que a corte se desloca-se em peso para Petrópolis, durante 6 meses conserva ainda muitas das casas e palacetes originais do século XIX embora todo o interior esteja modificado.

À chegada fomos levados a uma fábrica de chocolates que, a par com os texteis, é a grande indústria da cidade. Aproveitamos para nos aquecer do ar condicionado congelante do autocarro saboreando um delicioso chocolate quente. Chocolates havia para todos os gostos...grandes, pequenos, bombons, barrinhas de chocolate com cereais, com recheio, simples, branco...enfim tanto chocolate que era difícil resistir a uma guloseima!!

Depois desta paragem muito turística e comercial mergulhámos na história para vermos o Palácio do Imperador D. Pedro II. A primeira nota de destaque vai para o facto de que só se entra de pantufas, maneira hábil de os turistas limparem e puxarem o lustro do chão. Não é um palácio tipicamente europeu, ou seja, com todas as riquezas e o luxo qeu estamos habituados e ver em Palácios de Imperadores ou de Reis quer em Portugal quer na Europa. No entanto, tem uma impressionante colecção de retratos de D. Pedro II e da sua família. Em relação aos compartimentos eles dividem-se em dois andares com tectos muito simples, sem grandes ornamentações e onde as paredes caiadas de branco e a austeridade tem um papel principal. Pode-se ver o quarto de dormir de D. Pedro e D. Isabel, dos seus filhos e da restante família todos mobilados com "verdadeiras imitações", isto porque todo o palácio foi esvaziado quando da República tendo-se perdido todas as mobílias. O que se encontra dentro do Palácio são mobílias de época mas não pertencentes ao Palácio.
Também dentro do Palácio encontramos a Coroa de D. Pedro II. Talvez a mais imponente e impressionante peça de todo o Palácio, uma vez que os seus quase 2kg de ouro, as dezenas de diamantes e de brilhantes conferem á Coroa Imperial uma beleza impressionante. Junto com esta coroa estão dezenas de objectos pertença da família real, desde pentes a espadas, pratos de prata e ouro até peças oferecidas às amantes de D. Pedro II, etc...
Finalmente à frente do Palácio existe um bonito jardim de influencia francesa que se mantem muito bem conservado. Sem dúvida um local a visitar ainda para mais a apenas 65 km do rio de janeiro.

Saindo do Palácio passámos pela mais típica e antiga avenida de Petrópolis. Nesta rua encontramos uma série de palacetes da altura da Corte de D. Pedro II na mesma linha do palácio imperial mas sem a natural imponência que este apresenta. Próxima paragem foi a Catedral de D. Pedro de Alcântara. Primeiro que tudo impõem-se pela altura da sua torre (78m). Lá dentro, os vitrais que retratam as imagen bíblicas estão adaptadas à vegetação brasileira o que além de caricato torna os vitrais realmente apelativos. De resto, embora muito bonita, a Igreja não apresenta novidades relativamente às Igrejas POrtuguesas da mesma época...

Após uma pausa tardia para almoço, fomos ver o Palácio de Cristal. é uma pequena construção no centro de um jardim, presente dum nobre da Corte POrtuguesa à sua mulher. No original, toda a construção era feita com cristais belgas mas durante a instalação da república todos os cristais foram partidos e substituidos por vidro (!!!!!!!!!).

À saída de Petrópolis vimos o Palácio Quitandinha, hotel e casino dos anos 40, que funcionou durante 2 anos antes do jogo ter sido proibido no Brasil e ter sido transformado o hotel em apartamentos e o casino vendido a uma empresa de S. Paulo. é um edíficio muito imponente com 50 metros de comprimento e 30 de altura. Paragem obrigatória no caminho de regresso ao Rio de Janeiro.

Ir a Petrópolis foi muito bom. Primeiro que tudo pelos locais visitados, muito diferentes do que se encontra no Rio, com mais calma e mais ar para respirar. em segundo lugar, pela paz e tranquilidade que uma cidade com 300 mil habitantes proporciona e o contacto permanente com a vegetação..imperdível para todos os turistas mas ainda mais imperdível para os portugueses que ali tem uma parte, embora pequena, da sua história com uma figura que mudou o rumo da história portugesa!

sexta-feira, abril 14, 2006

ILHA GRANDE - um paraíso na Terra!


O primeiro grande passeio que fiz foi à Ilha Grande. Esta Ilha fica a cerca de 200 km do Rio de Janeiro ao largo de Angra dos Reis. Ilha Grande é mar, é praia mas é acima de tudo a ligação perfeita entre o Mar e a montanha, entre o oceano e a vegetação densa da floresta. Explorar a Ilha Grande é subir aos seus picos (que demora entre 4 a 6 horas), é entrar na mata e procurar as cachoeiras escondidas ou os tesouros naturais aí encondidos...a Ilha Grande é antes de tudo o exemplo acabado de como turismo e natureza não se opoem mas se complementam..

Chegámos ao barco (na cidade de Angra dos Reis) sexta-feira à noite e apanhámos um barco para a Ilha. Foi uma viagem engraçadíssima aproveitada para uma interminável conversa que se debruça sobre todos os temas da actualidade...e com tamanha heterogeneidade de pensamento a discussão é sempre profíqua. Ao longo do passeio fomos descubrindo as inúmeras ilhotas que existem nesta Zona do Estado do Rio de Janeiro e vendo as casas que existem nessas ilhas onde o único meio de transporte é o barco.

À chegada a Vale Abraão demos com uma pequena vila, onde não existem carros, e onde logo depois da praia se elevam morros duma altura e imponência ímpares. Realmente, uma obra prima da Natureza muito bem conservada pelo Homem. 3 mil pessoas é a população daquela vila toda ela virada para um turismo ambientalmente sustentável: nada de prédios altos (mais de 2 andares), nada de hóteis, nada de grandes restaurantes ou luxos. Apenas o essencial: casa sim, casa não encontramos uma "pousada", nome dado a quartos para alugar com maior ou menor requinte, com serviço de peq. almoço e uma amabilidade típica dos brasileiros. Não tivemos de procurar pousada porque já vínhamos como tudo marcado.

A nossa Pousada era um conjunto de cabanas em madeira onde cada quarto tinha uma entrada para a rua independente, tudo isto no meio de uma vegetação desconcertante e uma beleza natural vinda de um cenário de Hollywood. Seguiu-se o jantar onde o menu foi peixe. E que saudades tínhamos de um bom peixinho...Como o ar do mar puxa ao descanso recolhemos aos quartos para um merecido repouso.

No Sábado o dia acordou soalheiro e bem cedo. Com o peq. almoço já tomado (que constou de sucos de frutas natural, leite, café, pães de vários tipos, fruta ao natural, queijo, fiambre, manteiga e compotas) embarcámos para o nosso primeiro passeio de barco. Este passeio, que durou o dia todo, consistia na visita à Lagoa Azul e a outros locais de interesse marítimo. No entanto, como toda a viagem é feita ao longo da costa foi possível ver a imensidão de vegetação que cobre toda a ilha (reserva protegida), quer nas suas partes mais baixas quer nos picos que sobem a 1000m de altitude.

Nas várias paragens do percurso fomos ao Mar contemplar a beleza deste Oceano límpido e cristalino, onde o fundo do Mar se vê perfeitamente e onde podemos tocar e mexer em estrelas do mar, cavalos marinhos e outra fauna e flora marítimas. Realmente indiscritível a beleza do fundo do oceano nestas águas temperadas dos trópicos. Dá para imainar mas para saber ao certo só mesmo indo ver ao vivo...A lagoa azul é um local onde a àgua relecte a cor azul, dum azul intenso e onde a limpeza das àguas faz arrepiar. Milhares de peixes em cardume ou isolados nadaram ao nosso lado como que a pedir umas migalhas para se alimentarem. Não foi preciso pedir muito que logo do barco cairam bocadinhos de pão e de batata frita.

à chegada a Vale Abraão decidimos fazer uma pequena trilha (existem cerca e 40 na Ilha para todas as dificuldades e gosto) em busca das ruínas de Lanzarete. Lanzarete foi um antigo presídio do tempo da ditadura militar do Brasil. Neste momento só existem restos do piso térreo uma vez que a prisão foi implodida com o derrube da Ditadura. Ao jantar de pizza seguiu-se mais uma bela noite de sono.

No Domingo o itinerário indicava um dia de praia em Lopes Mendes. Esta é uma praia paradísiaca na qual só se chega a pé. Andámos de barco até uma zona próxima e depois percorremos uma trilha que conduz a essa praia. Adjectivá-la de bonita é sem dúvida redutor para a beleza que lá vimos. É um dos locais mais bonitos que já vi até hoje. Uma praia com água cristalina onde os peixes nadam ao nosso lado, onde surfistas cortam as ondas num total respeito pela Natureza e onde por todos os lados existe vegatação densa. Foi um dia maravilhoso com muita natação, muito Sol e muita tranquilidade pois tudo à nossa volta nos transmite uma paz e uma serenidade maravilhosas, ainda para mais a 200 km do Rio de Janeiro.

Com a chegada do barco a Vale Abraão seguiu-se a viagem de ferry até Mangaratiba e de autocarro até ao Rio de Janeiro...mas muito ficou por explorar!

quinta-feira, abril 13, 2006

Levanta-te: "já se faz tarde"

O caminho não é inerente à caminhada. Primeiro constrói-se. Depois, encaminha(m)-se. Finalmente defende-se e melhora-se, para manter a luz da saída(do caminho) acesa.

Antes fosse...

segunda-feira, abril 10, 2006

Trapalhadas Políticas

Assito ao longe ao desenrolar dos acontecimentos nesse velho Mundo que dá pelo nome de Europa. E tenho de dizer que gosto de assistir ao longe....
Desde logo, sinto-me um afortunado por não ter sido obrigado às infindáveis horas de emissão e aberturas de Telejornal da tomada de Posse do Anibal, sinceramente das piores coisas que me poderiam fazer! Pior que isso li hoje pela manhã que ele quer entrar numa nova fase da sua vida enquanto PR, visita hospitais, escolas etc como se esse Senhor fosse um bom homem com preocupações sociais, pior que isso é ler , saído presumivelmente da boca dele, que o actual PR acha que lhe compete algumas definições políticas (livrem-nos disso).

Por estas bandas tenho assistido da forma possível ao desenrolar das eleições em Itália. Não sou capaz (nem quero) de por tudo no mesmo cesto, logo, espero com muito fervor que o Senhor Prodi ganhe a essa coligação que tem no mesmo saco Berlusconi e Finni entre outros...

Finalmente, na França um caso paradigmático da forma vencedora da luta dos cidadãos. Pode-se discordar do método arruaceiro, provocatório e de rebelião que muitas vezes pautaram as manifestações mas o que é certo no fundo da questão é que Chirac diz hoje que o CPE vai ser substituido, em parte, por um programa de Inserção dos Jovens e essa foi uma conquista unica e exclusiva de quem lutou na rua, de quem defendeu os seus direitos, de quem se revoltou e de quem ousou dizer NÃO.

Por cá a política anda quente como o tempo. Lula procura a re-eleição mas os escandalos consecutivos do seu Governo não ajudam de forma nenhuma. Engraçado, sem qualquer piada, é ver as centenas de Outdoors pagas pelo Governo Federal e Estadual aqui no Rio de Janeiro com a sua auto-promoção...e ainda nos queixávamos nós do Santana Lopes em Lisboa.

Bem, este foi um fim-de-semana de sonho....mais logo espero ter fotos e um resumo mais alargado do Paraíso no Ceu que visitei durante dois dias!

passem no http://zona-sul.blogspot.com e vejam notícas dos 4 mosqueteiros cá no Rio e fotos da nossa casa...

sábado, abril 08, 2006

Nova diplomacia ou neo-colonialismo?

"Face à crise, aí está de novo Angola como tábua de salvação. Repete-se a ilusão de há um século. Para quem não se sente capaz de concorrer em mercados sofisticados, é tentador voltar-se para mercados menos exigentes."
Francisco Sarsfield Cabral, "Diário de Notícias", 08-04-2006

sexta-feira, abril 07, 2006

Dualidade no poder, dualidade nas políticas.


É triste reparar que os cidadãos nunca estão em condições de igualdade perante a lei:

Para quando a aplicação do CPE aos governantes? Para que finalmente, a entidade empregadora (o povo) possa despedir estes dois meninos, com justa causa e nos dois primeiros anos de contrato...
Antes fosse...

Descubram as diferenças...

Parte final e em crescimento da Rocinha - vista da PUC

Vista da Zona de Botafogo - Pão-de-Açucar


quinta-feira, abril 06, 2006

Contrastes

A visão deslumbrante do alto do Pão-de-Acçucar confunde-se com a beleza natural do Rio. Ao chegar à cidade do Carnaval, da praia, da famosa canção Garota de Ipanema (agora transformada em nome de Bar), das praias maravilhosas das novelas algo se cobre como se de uma nuvem escura se tratasse, como se os nossos olhos não quisessem ver o inevitável...olhar e ver são coisas bem distintas e nós do alto do pão-de-Açucar vemos com atenção as maravilhas naturais desta metrópole mas ao nível do chão, num simples passeio a pé, evitamos até olhar para quem ao nosso lado sofre na dor imensa de quem luta sem nada ter.

Esta cidade de contrastes..de um lado a praia magnífica, com a luz inconfundível e irrepetível que o Rio de Janeiro é capaz de proporcionar. Do outro lado, lá bem no alto dos "morros" contemplando os turistas mais de 2 milhões de pessoas sem projectos de vida, sem horizontes..senão a droga, prostituição e o roubo. Não se pense que as favelas são sinónimo de crime, pelo contrário a esmagadora maioria da sua população tenta honestamente alimentar os seus filhos e ter uma vida condigna...no pais do Mundo onde a discrepância social é mais elevada.

Viver e sobreviver...alguma vez pensámos para nós próprios na sorte que temos em viver? Vi, vejo e verei muita gente a sobreviver e algumas delas em bons apartamentos e com bons vizinhos...mas isso fica para os próximos episódios!

domingo, abril 02, 2006

"A escravatura é um sistema de pleno emprego"




O futuro monumento ao jovem trabalhador precário anónimo.


Hoje acordei assim...